quarta-feira, 2 de março de 2016

foto crédito: Pedro Coqueiro 
A partir do dia 05 de março a Sede das Cias recebe o espetáculo “Bicho”, com texto de André Sant’Anna e direção de Georgette Fadel. No palco, Eduardo Speroni, Jean Machado e Pedro Nercessian dão vida a uma história que vai ao contrário do óbvio. Seria a história de um travesti e um garoto de programa que dividem um apartamento no centro de uma megalópole e, num belo dia, recebem a visita de um jovem estudante, recém chegado de uma pequena cidade do interior, interessado em pesquisar o universo da prostituição masculina para a peça que está montando no curso de teatro. Mas não é. Os personagens dessa história, não conseguem se conter dentro dos estereótipos para eles reservados e extrapolam os limites da realidade, se tornando monstrengos metafísicos discutindo o sexo, a política, a arte, a morte, o teatro, Deus, o dinheiro, as mães e a proibição do topless nas praias brasileiras.

Seria um apartamento muquifo, quarto e sala, no centro da grande cidade, habitado por figuras do underground urbano. Mas não é. É um espaço cênico em constante mutação, levando nossos monstrengos sexuais a mares intergalácticos de difícil navegação. Seria só um jovem do interior, que fez teatro na casa paroquial de uma igrejinha, atrás da pracinha om coreto, pipoqueiro e picolé de groselha. Mas não é. É um cara velado com algo a dizer, velado demais para ir logo dizendo, mas que está disposto a sofrer até o final, para destruir os limites entre a vida e a arte.

Seria só um travesti extravagante, exagerado, de maquiagem carregada, falando rouco e usando roupas de gosto duvidoso. Mas não é. É um homem de Deus, um homem-mulher que sabe concretamente da existência de Deus, que experimentou Deus. Seria só um garoto de programa arrogante e amoral, querendo arrancar dinheiro do jovem ingênuo do interior que veio entrevista-lo. Mas não é. O cara é artista.

Seria uma trama bem bolada, com algo que mantivesse o público em suspense até o final, com cenas de sexo bem coreografadas, diálogos bem escritos e interpretações verossímeis.
Mas não é. Bicho é risco. É o ator que caminha, sem rede de proteção, sobre fio de cabelo que separa o sublime do ridículo, sabendo que o sublime pode ser ridículo e o ridículo pode ser sublime. É o texto sujo, caótico como a consciência humana. É a montagem violenta, explosiva, que revoluciona a si mesma em cada respiração dos personagens, em cada pausa, em cada som, a cada fúria.


FICHA TÉCNICA
Texto: André Sant'Anna
Direção: Georgette Fadel
Elenco:  Eduardo Speroni (Vicente), Jean Machado (Pedro) e Pedro Nercessian (Laysa)
Assistente de direção: Leonardo Rosa
Cenário: Richard de Mattos
Figurino: Juliana Prado
Iluminação: Felipe Couto
Direção musical: Davi Guilhermme
Produção executiva: Jean Machado

SINOPSE
Seria a história de um travesti e um garoto de programa que dividem um apartamento no centro de uma megalópole e, num belo dia, recebem a visita de um jovem estudante, recém chegado de uma pequena cidade do interior, interessado em pesquisar o universo da prostituição masculina para a peça que está montando no curso de teatro. Mas não é.

SERVIÇO
Temporada: 05 a 28 março
Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 - Escadaria Selarón – Lapa)
Informações: (21) 2137-1271 (a partir de 14 horas)
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)
Horário: de sábado a segunda, às 20h.
Duração: 120 minutos          
Gênero: drama
Capacidade: 60 pessoas
Classificação: 18 anos
Bilheteria: diariamente, uma hora antes do espetáculo 

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